Prática / 2 min de leitura

É preciso suar para um treino contar?

O suor ajuda-te a arrefecer. Como avaliar um treino de força ou uma caminhada rápida sem dar uma nota à camisola molhada.

Uma camisola seca não responde à pergunta

Acabas algumas séries, olhas para a camisola e perguntas-te se fizeste o suficiente. É um atalho compreensível: o suor vê-se, os progressos demoram mais tempo. Mas a quantidade de suor que notas não te diz se uma sessão aumentou a força ou melhorou a condição física.

Suar ajuda a regular a temperatura do corpo. O calor e a humidade alteram as condições de arrefecimento: num ambiente húmido, o suor evapora-se com mais dificuldade. Uma camisola mais molhada pode, por isso, refletir condições diferentes, não um treino melhor. [1]

Para a força, olha para o trabalho feito

As recomendações do ACSM de 2026 dão destaque à regularidade do treino de força, a um esforço adequado e a um plano ajustado ao objetivo. Os exercícios com o peso do corpo também podem ser eficazes. Suar não é a meta dessas recomendações. [2]

Para um registo útil, anota a variante do exercício, as séries, as repetições, os descansos e o esforço que sentiste nas séries. «Três séries da mesma variante de flexões, com os descansos habituais» conta o que fizeste. «Quase não suei» não conta.

Compara sessões semelhantes ao longo do tempo. Mais repetições com a mesma variante e um esforço comparável podem merecer atenção; outra camisola ou uma divisão mais quente pouco acrescentam à comparação. Uma sessão fácil ou difícil, por si só, não define uma tendência. A nossa sugestão é guardar contexto suficiente para interpretar o trabalho feito, sem dar uma nota a cada treino.

Na atividade aeróbia, a respiração dá uma pista

Para uma caminhada rápida ou outra atividade aeróbia, os CDC sugerem o teste da fala: a intensidade moderada, consegues conversar, mas cantar é difícil; a intensidade vigorosa, precisas de fazer pausas frequentes para respirar. É uma orientação aproximada sobre a intensidade aeróbia relativa, não um teste dos ganhos de força. [3]

Não encurtes todos os descansos entre séries de força só para ficares sem fôlego. Decide primeiro o que queres conseguir com a sessão. Caminhar e treinar força não têm de provocar as mesmas sensações para serem úteis.

Não procures mais calor

Vestir mais roupa ou aquecer a divisão para forçar o suor dificulta o arrefecimento. Escolhe antes condições confortáveis para treinar. Se o exercício no calor provocar tonturas, fraqueza ou náuseas, para e vai para um local fresco; procura assistência médica se os sintomas persistirem. Confusão ou perda de consciência são uma emergência. [1]

Da próxima vez, anota algo que tenhas praticado e como te sentiste. Ficas com uma referência útil para a sessão seguinte. Não precisas de uma camisola encharcada para guardar essa nota.

FONTES E LEITURAS COMPLEMENTARES

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