Um número preciso continua a ser uma estimativa
Terminas uma sessão de força e o relógio mostra menos calorias do que na caminhada de ontem. Foi menos útil? Esse número não responde à pergunta. Estima o gasto energético; não mede a força que ganhaste nem a qualidade do teu plano de treino.
A Apple explica que o cálculo das calorias utiliza dados pessoais como altura, peso, idade e sexo. Os sinais usados para medir a atividade também dependem do treino. [1] O número resulta de um cálculo, mesmo quando o ecrã não apresenta qualquer margem de erro.
O que os estudos testaram
Um estudo publicado online em 2022 e numa edição da revista de 2023 testou o Apple Watch 6, o Polar Vantage V e o Fitbit Sense em 60 adultos jovens saudáveis. Comparou as leituras com instrumentos de referência na posição sentada, a caminhar, a correr, em exercícios de força e a pedalar. Os três dispositivos revelaram pouca exatidão na estimativa do gasto energético nestas atividades. A frequência cardíaca era um resultado separado: nessa medida, o Apple Watch 6 teve um desempenho muito melhor. [2]
Outro estudo de 2023 testou o Apple Watch 6 e o Polar A370 em 11 homens jovens, em repouso, durante a corrida e depois. O erro variava com as condições; as estimativas dos relógios não eram intercambiáveis. [3] Uma leitura fiável do pulso não torna, por isso, a estimativa das calorias automaticamente fiável.
São testes de dispositivos e protocolos específicos, não uma classificação dos relógios à venda hoje. Nenhum dos estudos valida o teu modelo atual, o respetivo software ou o teu treino em casa. Também não fornecem uma correção universal: subtrair uma percentagem fixa a cada leitura criaria outro número por verificar.
Confere as definições antes de comparar
Para o Apple Watch, o fabricante recomenda manter os dados pessoais atualizados, usar o relógio bem ajustado, escolher o tipo de treino adequado à atividade e calibrar o dispositivo. [1] Segue as instruções do teu modelo. Estes cuidados melhoram as condições da leitura; não provam que o total de calorias seja exato.
Se guardas as estimativas de calorias no diário, regista também o dispositivo e a atividade. Compara situações semelhantes. Mudar de relógio, de modo de treino ou de duração da sessão dificulta a interpretação. Mesmo com as mesmas definições, pequenas diferenças entre sessões não provam, por si só, uma alteração real do gasto energético.
Dá menos responsabilidade a esse número
A nossa sugestão prática: usa a estimativa de calorias como informação facultativa, não como a meta que decide quando acaba uma sessão de força. Evita acrescentar séries só para ultrapassar o total de ontem. Estarias a mudar o treino para satisfazer uma medida cuja exatidão não verificaste.
No treino de força, regista a variante do exercício, a carga se a usares, as repetições, os descansos e o esforço que sentiste nas séries. Estes detalhes descrevem o que fizeste. Uma estimativa calórica mais baixa não apaga uma melhoria numa tarefa comparável; uma mais alta não demonstra crescimento muscular.
Na próxima revisão do diário, escolhe duas sessões semelhantes e uma pergunta a que os registos permitam responder: fizeste mais repetições com a mesma carga e em condições semelhantes? Deixa a diferença de calorias em aberto se não a consegues explicar. Não precisas de um veredito sobre cada número para preparar a próxima sessão.