TIPS 04 · PIANO

Primeiro pensa, depois mexe

Como ligo o plan mode do Claude Code, a frase que uso para ter um plano curto e como o leio antes de dizer avança.

O que é e porque importa

Quando pedes uma alteração, o Claude Code normalmente arranca logo: abre os ficheiros, escreve, muda. Se percebeu bem, ótimo. Se percebeu mal, só dás por isso no fim, quando já mexeu em cinco ficheiros e tens de perceber o que fez e como voltar atrás.

O plan mode separa os dois momentos. Primeiro o Claude lê os ficheiros, pensa e escreve-te o que quer fazer. Depois, só quando aprovas, faz. No meio estás tu, com um plano para ler em vez de um trabalho para desfazer.

Porque importa: um plano corriges num minuto, uma alteração errada em vários ficheiros não. E ao ler os planos também aprendes como a tua app é feita, ficheiro a ficheiro, o que vale muito para quem não vem do desenvolvimento. O guia oficial do Claude Code recomenda exatamente esta ordem: primeiro explora, depois planeia, depois escreve o código.

1. Como se liga

Há vários caminhos. No terminal uso quase sempre o primeiro.

  • No terminal, com a sessão aberta: carrega em Shift+Tab. Os modos andam em círculo, por isso às vezes tens de carregar várias vezes, até aparecer «⏸ plan mode on» por baixo da caixa. Para sair sem aprovar nada, Shift+Tab outra vez.
  • Na hora, com um pedido: escreve /plan antes da mensagem. O Claude entra em plan mode e começa logo por esse pedido.
  • Desde o início: arranca a sessão com o comando aqui em baixo.
  • Na app de computador: no separador Code, abre o seletor de modos ao lado do botão de enviar e escolhe Plan. Aí só vale para a sessão em curso.
  • Sempre, num projeto: no ficheiro .claude/settings.json do projeto defines plan como modo de arranque, como no ficheiro aqui em baixo.
A linha
claude --permission-mode plan
O ficheiro
{
  "permissions": {
    "defaultMode": "plan"
  }
}

Se o settings.json já existe, acrescenta só a parte permissions e não apagues o resto. Vale para as sessões que abres no terminal nessa pasta.

O que o Claude faz em plan mode

Lê os ficheiros, pode correr comandos para explorar o projeto, pensa e escreve-te o plano. Não altera os teus ficheiros enquanto não o aprovares. Se um comando não for só de leitura, pode pedir-te autorização antes de o correr: lê o que quer fazer antes de dizer que sim.

2. A frase para planos curtos

Um plano comprido ninguém o lê. Se o Claude te escreve duas páginas, acabas por aprovar sem ler, e aí o plano não serve. Por isso, em plan mode, depois do meu pedido colo sempre esta frase:

O prompt
Antes de mexeres em qualquer coisa, faz-me um plano curto: no máximo 5 pontos, uma linha cada. Para cada ponto: que ficheiro e o que mudas. Depois escreve em que NÃO vais mexer. No fim diz-me como verifico que funciona: um comando para correr ou o que experimento eu na app. Se durante o trabalho precisares de um ficheiro que não está no plano, para e pergunta-me.

Cada parte tem um motivo:

  • «No máximo 5 pontos, uma linha cada»: lês em meio minuto. Se o trabalho não cabe, normalmente são dois trabalhos: separa-os.
  • «Que ficheiro e o que mudas»: vês logo onde vai pôr as mãos. Não precisas de perceber o código, basta reconhecer os nomes dos ficheiros.
  • «Em que NÃO vais mexer»: é a fronteira. Se aí falta alguma coisa que te importa, tipo o login, dás por isso antes.
  • «Como verifico que funciona»: um comando ou um teste na app. Sem isso, o único sinal de que o trabalho acabou é o Claude dizer-te «feito».
  • «Para e pergunta-me»: o plano passa a ser também um limite. Se a meio do trabalho descobre que precisa de outro ficheiro, pergunta-te em vez de se alargar sozinho.

Se para os teus pedidos usas o modelo em três linhas (o que tem de acontecer, o que não pode mudar, como verificamos), funcionam bem juntos: o modelo diz o que queres, esta frase diz como tem de ser o plano.

Um limite que convém saber: a frase é uma instrução, não um bloqueio. Normalmente o Claude respeita-a, mas quando sais do plan mode nada o impede de verdade de abrir outro ficheiro. Por isso, nas partes delicadas, escolho aprovar as alterações uma a uma, como explico mais abaixo.

3. Ler o plano e dizer avança

Quando o plano chega, leio-o à procura de três coisas:

  • Um ficheiro que não tem nada a ver: se estás a mudar um botão e no plano aparece o ficheiro dos pagamentos, pergunta porquê.
  • Um passo que muda «a app toda»: «atualizo todos os componentes», «reorganizo as pastas». Normalmente não foste tu que pediste.
  • Uma verificação que falta: se no fim não diz como verificas, pede que o escreva.

Corrige isso e depois dizes-lhe avança.

As escolhas quando o plano está pronto

O Claude mostra-te o plano e pergunta como avançar. As escolhas estão em inglês:

  • «Yes, and use auto mode»: aprovas e arranca em auto mode, ou seja, trabalha sem te pedir autorização a cada passo, com verificações automáticas em segundo plano nas ações arriscadas. Se o auto mode não estiver disponível na tua sessão, no lugar dele aparece «Yes, auto-accept edits».
  • «Yes, manually approve edits»: aprovas e confirmas tu cada alteração, uma a uma. É a que escolho quando o plano mexe no login, na base de dados ou nos pagamentos.
  • «No, keep planning»: ficas no plano e escreves-lhe o que mudar.

Com «No, keep planning» uso frases curtas, tipo:

O prompt
Tira o ponto [número]: [ficheiro] não é para mexer. Reescreve o plano, sempre no máximo 5 pontos.

Se preferires corrigi-lo à mão, carrega em Ctrl+G: o plano abre no teu editor de texto e mudas diretamente, antes de o Claude arrancar. Quando aprovas, o Claude sai do plan mode e começa a trabalhar. Para planear a coisa seguinte, voltas a entrar com Shift+Tab ou com /plan.

4. Quando não é preciso

Uma gralha, um texto, uma cor num só ficheiro, uma pergunta: pede e pronto. O guia oficial também o diz: o plano custa tempo, e se consegues descrever a alteração numa frase podes saltá-lo.

Usa-o sempre que mexeres em mais de um ficheiro, na base de dados, no login ou nos pagamentos, ou quando não sabes por onde começar.

Os erros mais comuns

  • Aprovar sem ler: se o plano é demasiado comprido para ler, pede-o curto com a frase, senão não te protege de nada.
  • Dizer avança a um plano sem verificação final: antes de aprovar, pede que escreva como verificas que funciona.
  • Usá-lo para cada vírgula: para uma gralha ou uma cor pede diretamente e guarda o plano para trabalhos em vários ficheiros.
  • Achar que a frase bloqueia mesmo o Claude: é uma instrução, por isso nas partes delicadas escolhe «Yes, manually approve edits» e olha para cada alteração.
  • Achar que ainda estás em plan mode depois de aprovar: ao aprovar sais dele, por isso para o trabalho seguinte voltas a entrar com Shift+Tab ou /plan.

Checklist

  • Por baixo da caixa vejo «⏸ plan mode on»
  • Colei a frase para o plano curto
  • O plano tem no máximo 5 pontos, com os ficheiros
  • Diz em que não vai mexer
  • Há uma verificação final que sei fazer
  • Nas partes delicadas aprovo as alterações à mão

Perguntas frequentes

Em plan mode o Claude pode estragar alguma coisa?

Não altera os teus ficheiros enquanto não aprovares o plano. Pode, no entanto, correr comandos para explorar o projeto: os que não se limitam a ler passam por uma verificação automática ou pedem-te autorização. Se te pedir, lê o comando antes de dizer que sim.

Depois de aprovar, cumpre o plano?

Normalmente sim, mas o plano é um guia, não um contrato. Por isso na frase está «para e pergunta-me», e no fim pergunto-lhe o que mudou e em que não mexeu, para comparar com o plano.

Também funciona na app de computador?

Sim. No separador Code escolhe Plan no seletor de modos ao lado do botão de enviar. Aí o Plan só vale para a sessão em curso: na seguinte escolhes outra vez. A frase para o plano curto funciona da mesma maneira.

← Todos os guias