O que é e porque importa
Pedes ao Claude um calendário para escolher uma data, e ele constrói um do zero: 335 linhas para ler e corrigir quando avariam. E o teu projeto já tinha o seu campo de texto, e todos os navegadores já trazem um calendário. Bastavam dez linhas.
O ponytail põe dentro do teu Claude um programador sénior preguiçoso, no bom sentido. Antes de escrever, lê o código em que a alteração mexe e procura o que já existe: no projeto, no navegador ou na linguagem, nas bibliotecas que tens instaladas. Depois escreve só o que falta. Mas os controlos não os corta, e onde há dinheiro ou segurança deixa um pequeno teste.
É um prompt (uma skill, ou seja, um ficheiro de instruções para o Claude) mais um plugin que o carrega em cada sessão. Gratuito, licença MIT, mais de 180.000 estrelas no GitHub no fim de outubro. O autor mediu-o em 39 tarefas: em média menos 53% de linhas e menos 26% de custo. Como lê-los: passo 6. É para quem constrói sozinho com o Claude Code e não quer reler código inútil.
1. Instala-o no Claude Code
Abre o Claude Code e envia estas duas linhas como duas mensagens separadas: numa só, diz o guia de instalação, não funciona.
/plugin marketplace add DietrichGebert/ponytail
/plugin install ponytail@ponytail
A primeira adiciona o marketplace, o catálogo de onde o Claude Code vai buscar o plugin. A segunda abre a ficha do plugin: lê o que instala e escolhe «Install for you», para valer em todos os teus projetos. Na app de desktop, separador Code, escreve as mesmas linhas no campo do prompt.
Para confirmar que está ativo:
- Em /plugin, separador Installed, está o ponytail.
- No início de cada sessão, o ponytail mostra o nível ativo.
- Só /ponytail diz-te o nível; se estava desligado, liga-o.
Outros agentes: copia o ficheiro AGENTS.md do repo para o teu projeto (regras sempre ativas, sem comandos) ou segue o INSTALL.md.
2. Como pensa: a escada antes de escrever
O coração do ponytail é uma escada. Lê a tarefa e o código em que mexe, e para no primeiro degrau que resolve tudo:
- É mesmo preciso? O que ninguém pediu, salta-o e diz-to numa linha.
- Já existe no projeto? Um componente ou uma função que usas noutro sítio: usa isso.
- A linguagem ou o navegador fazem isso? Usa isso, mas um componente do projeto vem primeiro.
- Uma biblioteca já instalada faz isso? Nunca uma biblioteca nova por meia dúzia de linhas.
- Chega uma linha clara? Uma linha.
- Só então o mínimo de código que funciona, com um pequeno teste se houver lógica.
O calendário vem do benchmark dele, com o pedido «adiciona um seletor de datas». Sem ponytail, 335 linhas. Com ponytail, 10, que reutilizam o componente Input do projeto com type="date": o calendário é o navegador que o traz. Sendo honesto: é o caso mais extremo das 39 tarefas. Em muitas tarefas pequenas a diferença é pouca ou nenhuma.
Para o veres a trabalhar, pede assim (muda as partes entre [ ]):
Adiciona [um seletor de datas] a [o formulário de reserva]. Antes de escreveres, diz-me o que já existe no projeto, no navegador ou nas bibliotecas instaladas que faça este trabalho, e em que degrau paraste.
3. Os três níveis de intensidade, e off
Arranca sozinho, no nível full. Mudas com /ponytail e o nível, até ao fim da sessão.
- lite: faz o que pediste e numa linha propõe-te a versão mais pequena. Uso-o quando o pedido já está decidido.
- full: a escada do passo 2, com o teste onde é preciso. É o que mantenho quase sempre.
- ultra: além disso põe o pedido em causa e, antes de construir, diz-te o que a necessidade não justifica. Uso-o no início de um projeto.
- off: desliga-o. Também chega uma mensagem só com «stop ponytail».
/ponytail ultra
Para mudar o nível de partida de todas as sessões, escreve-o em ~/.config/ponytail/config.json (no Windows em %APPDATA%\ponytail):
{ "defaultMode": "lite" }Ou há a variável de ambiente PONYTAIL_DEFAULT_MODE, que se sobrepõe ao ficheiro. Com "off" não arranca sozinho: ligas tu com /ponytail.
4. Os dois comandos de revisão
Os dois escrevem um relatório e não mexem no código. Cada problema vem numerado e diz o que faz esse código, o que corre mal, como se corrige e o que acontece se o deixares. O relatório costuma vir num inglês simples.
/ponytail-review: a alteração que acabaste de fazer
Sozinho, olha para as alterações que ainda não estão num commit, ou para o último commit se não houver nenhuma. Lê também o código que as usa, porque uma alteração pode estragar um ficheiro em que não mexeste. Para escolher o que vê, acrescenta uma palavra: uncommitted, staged (prontas para o commit), branch ou o link de um PR.
/ponytail-review branch
Depois responde com os números:
Corrige a 1 e a 3 com a correção mais pequena que propuseste. As outras deixa-as.
/ponytail-audit: o projeto inteiro, por ordem
Os mesmos controlos, no repo inteiro ou na pasta que lhe indicares. Primeiro faz o mapa: por onde entram os dados, onde acabam, quanta carga tem de aguentar. Depois ordena no máximo 20 problemas, do mais grave para o menos, e diz-te por onde começar. Eu lanço-o num projeto que não abro há meses.
/ponytail-audit
Se no menu do Claude Code vires os comandos com o nome do plugin à frente, tipo /ponytail:ponytail-review, usa essa forma.
5. Os atalhos assinalados e a faixa por cima do prompt
Quando escolhe um atalho com um limite conhecido, o ponytail escreve-o no código com um comentário shortcut: seguido do limite e de quando mudá-lo. Por exemplo uma lista em memória que aguenta enquanto os utilizadores forem poucos. São decisões, não erros, mas é preciso relê-las: o /ponytail-debt junta-as num registo e assinala as que não dizem quando revê-las.
/ponytail-debt
Escreve este registo em PONYTAIL-DEBT.md.
Com um Claude Code recente, no terminal e na app de desktop, há uma faixa por cima do prompt: quanto a tarefa consome, o tempo do agente, quanto código reutilizou, se os testes passaram. /ponytail band esconde-a e volta a mostrá-la.
6. Os números, lidos com honestidade
São números do próprio autor: 39 tarefas, Claude Code com Opus, 5 execuções por tarefa. O método e os scripts estão no repo.
- Linhas de código: menos 53% em média (entre 41% e 63%).
- Custo: menos 26% a preço de tabela (entre 16% e 36%). Com uma subscrição não pagas menos: gastas menos do teu limite.
- Um teste onde a lógica o pede: 98% das vezes, contra 68% sem ponytail.
- Correção, nas 18 tarefas com verificações escondidas: empate. Menos código não tirou segurança, mas também não acrescentou.
No benchmark o agente não podia correr comandos: mede-se o que escreve, não como trabalha no teu projeto. E o ponytail continua a ser um prompt: o Claude pode enganar-se na mesma, e os atalhos és tu que os relês.
Os erros mais comuns
- Enviar as duas linhas de instalação numa só mensagem.
- Instalá-lo a partir de uma cópia: o original é só DietrichGebert/ponytail no GitHub (ou @dietrichgebert/ponytail no npm) e nunca contém ficheiros .exe ou .dll.
- Não ter Node.js: as instruções funcionam, mas em cada mensagem aparece o erro «node: command not found».
- Deixar os comentários shortcut: por ler: o limite que indicam chega mais cedo ou mais tarde.
Checklist
- Enviei as duas linhas de instalação como duas mensagens separadas
- Ao escrever /ponytail vejo o nível ativo
- Experimentei o /ponytail-review numa alteração minha a sério
- Li os atalhos com o /ponytail-debt
Perguntas frequentes
O ponytail é gratuito?
Sim, licença MIT. Mas as respostas do Claude gastam o teu uso, como sempre.
Também corta os controlos de segurança?
Não. A validação dos dados que chegam de fora, o tratamento de erros que evita perder dados, a segurança e a acessibilidade nunca se cortam. Nas seis tarefas de segurança do benchmark: 30 execuções em 30, tal como sem ponytail.
E se precisar mesmo da solução comprida?
Pede-a com clareza: as instruções dizem para nunca cortar o que pediste. Ou passa para lite.