O que é e porque importa
Escreves ao Claude Code dez vezes por hora, e de cada vez cortas. O contexto que tinhas na cabeça fica numa linha, porque escrever tudo é lento. Depois o Claude faz a coisa errada e tens de explicar outra vez.
O ditado já está dentro do Claude Code. Ligas com /voice, falas, e as palavras aparecem no prompt enquanto as dizes. Podes misturar: uma frase dizes, o nome de um ficheiro escreves.
E a documentação da Anthropic di-lo claramente: a transcrição não gasta mensagens nem tokens e não conta para os limites de /usage. O prompt que envias gasta como sempre, como se o tivesses escrito. É para quem passa o dia no Claude Code e quer dar mais contexto com menos esforço.
1. O que precisas e para onde vai a tua voz
Antes de experimentar, confirma estas três coisas:
- Uma conta Claude.ai com que tenhas iniciado sessão no Claude Code. Com uma chave de API da Anthropic, Amazon Bedrock, Google Cloud's Agent Platform ou Microsoft Foundry, o ditado não está disponível.
- Um microfone no computador onde corre o Claude Code. Nas sessões na cloud e por SSH não funciona.
- No Windows dentro do WSL precisas do WSLg; sem ele, usa o Claude Code diretamente no Windows.
Sabe isto antes: o áudio não fica no teu computador. Vai para os servidores da Anthropic, que o transcrevem; não é processado localmente. Como tratam os dados está explicado na documentação do Claude Code.
2. Liga-o com /voice e escolhe como falar
No chat do Claude Code escreve:
/voice
Arranca um teste ao microfone; no Mac, da primeira vez, o sistema pede autorização para o teu terminal: aceita. Depois lês Voice mode enabled (hold) e, no fim, Dictation language: en. Esse en é inglês: mudas no passo 3.
Dois modos: manter premido ou tocar
- Manter premido (hold), o modo por defeito: manténs o espaço, falas, largas. Depois de um breve aquecimento aparece em baixo listening… e grava. Quando largas, o texto entra no prompt e espera pelo teu Enter.
- Tocar (tap): com o prompt vazio tocas no espaço e começa, voltas a tocar e para, sem aquecimento. Se o texto tiver pelo menos três palavras, envia sozinho, para que um toque por engano não envie uma palavra solta. Também para ao fim de 15 segundos de silêncio ou 2 minutos no total.
Para escolher o modo ou desligá-lo (a escolha fica também para as sessões seguintes):
/voice hold
/voice tap
/voice off
Ou em ~/.claude/settings.json (se já tiver outras definições, junta só o bloco voice, com a vírgula). Isto é hold com envio automático quando largas a tecla, se o texto tiver pelo menos três palavras. Sem autoSubmit, que só vale em hold, espera pelo teu Enter. Para tap, escreve "tap" em vez de "hold".
{
"voice": {
"enabled": true,
"mode": "hold",
"autoSubmit": true
}
}O meu conselho: hold sem envio automático, até confiares na transcrição.
3. Põe-no na tua língua e sabe o que muda
Por defeito o ditado percebe inglês: se falares português sem mudar nada, sai um texto estropiado. O português está entre as línguas suportadas. Defines em /config, ou em ~/.claude/settings.json:
{
"language": "portuguese"
}Também serve o código "pt". Se escreveres uma língua que não está na lista, o /voice avisa-te e, para o ditado, volta ao inglês.
Atenção: é a mesma definição que decide a língua das respostas. A partir daí o Claude responde-te em português, e os títulos automáticos das sessões também saem em português.
4. Fala, escreve, deita fora
As palavras aparecem enquanto falas, esbatidas até a transcrição estar terminada. O texto entra onde está o cursor: escreves meia frase, manténs o espaço e dizes o resto. Mantém outra vez para juntar outro pedaço.
É feita para quem programa: reconhece palavras como regex, OAuth, JSON e localhost, e usa sozinha o nome do teu projeto e do branch git como pista. A minha maneira: o raciocínio digo, os caminhos exatos dos ficheiros escrevo.
Enganaste-te na frase? Esc
Carrega em Esc ou Ctrl+C enquanto gravas, ou enquanto a frase ainda está a ser processada: o microfone desliga-se, a transcrição é deitada fora e o prompt volta ao que era. Nesse toque, o Esc não interrompe o Claude e o Ctrl+C não te tira do Claude Code.
5. Muda a tecla, se o espaço te incomoda
Em hold o espaço tem o aquecimento, e onde faz outra coisa (no visualizador da conversa, no vim fora de INSERT) não dita. Uma combinação como Option+K no Mac, Alt+K nos outros, começa ao primeiro toque e funciona também aí. Muda-se em ~/.claude/keybindings.json:
{
"bindings": [
{
"context": "Chat",
"bindings": {
"meta+k": "voice:pushToTalk",
"space": null
}
}
]
}meta é Option no Mac e Alt nos outros. A tecla nova substitui o espaço, para hold e tap, e o Claude Code lê o ficheiro sem reiniciar. Em hold não uses uma letra sozinha como o v: durante o aquecimento acaba no prompt.
6. Três frases para ditar já
A falar dás mais contexto do que escreverias. Abre o Claude Code no teu projeto, liga o ditado e diz uma destas, com as tuas partes no lugar das que estão entre [ ].
Antes de mudares seja o que for, lê o projeto e explica-me como funciona [o pagamento da subscrição]: de que ficheiro parte, por onde passa e onde se pode partir. Depois faz-me três perguntas sobre o que não te ficou claro.
Há um bug: quando [um utilizador novo se regista e volta atrás no ecrã de boas-vindas], [a app fica em branco]. Esperava [voltar ao ecrã inicial]. Encontra a causa, explica-ma em duas frases e propõe a correção mais pequena. Não mexas no código até eu dizer ok.
Por hoje está feito. Resume o que mudámos nesta sessão, o que fica em aberto e o que farias primeiro amanhã, e escreve isso em [NOTAS.md] em cinco linhas no máximo.
Os erros mais comuns
- Ditar em português sem ter definido a língua: o texto sai estropiado, porque por defeito o ditado é em inglês.
- Unknown command: /voice. Não iniciaste sessão com uma conta Claude.ai, ou há algo que passa à frente: ANTHROPIC_API_KEY, ANTHROPIC_AUTH_TOKEN, um apiKeyHelper ou outro fornecedor. Tira-o, reinicia o Claude Code e faz /login.
- Microphone access is denied no Mac: Definições do Sistema → Privacidade e segurança → Microfone, ativa o teu terminal e volta a lançar /voice. Se não estiver na lista: tccutil reset Microphone com.apple.Terminal (iTerm2: com.googlecode.iterm2), depois fecha o terminal com Cmd+Q e volta a abri-lo. Nunca sem o identificador: tira o microfone a todas as apps.
- Experimentar por SSH ou numa sessão na cloud: o microfone tem de estar no computador onde corre o Claude Code.
- Manter o espaço premido e ver só espaços. Se se acumulam, o ditado está desligado: /voice hold. Se aparecem um ou dois e mais nada, a repetição de teclas está desativada: /voice tap.
Checklist
- Iniciei sessão no Claude Code com uma conta Claude.ai, não com uma chave de API
- /voice responde Voice mode enabled e o terminal tem autorização do microfone
- Escolhi hold ou tap, e sei se o prompt sai sozinho
- Defini o português, e sei que agora o Claude me responde em português
- Deitei fora uma frase com Esc e o prompt voltou ao que era
- Ditei uma das três frases no meu projeto
Perguntas frequentes
O ditado gasta-me os limites?
A transcrição não: não gasta mensagens nem tokens e não conta para os limites de /usage. O prompt que envias sim, como se o tivesses escrito à mão.
Também funciona no VS Code?
Sim, na extensão do Claude Code para VS Code, com a mesma conta Claude.ai. Não nas sessões remotas (SSH, Dev Containers, Codespaces): o microfone está no teu computador e a extensão corre noutro sítio.
Quanto tempo posso falar de seguida?
A documentação só dá um limite para o tap e para a extensão do VS Code: a gravação para ao fim de 15 segundos de silêncio ou 2 minutos no total. Para o hold não indica nenhum.