O que é e porque importa
Quando peço ao Claude uma funcionalidade nova numa só mensagem, ele faz tudo sozinho, de seguida: procura, decide, escreve e no fim diz-me «feito». Para coisas pequenas está ótimo. Numa funcionalidade a sério, porém, os passos misturam-se. Procura a meio, planeia enquanto escreve, e a verificação é feita por quem acabou de escrever o código.
Um workflow põe ordem. É um script que o Claude escreve para a tua tarefa e que o Claude Code corre em segundo plano: lança vários subagentes, cada um com o seu trabalho, e passa os resultados de um para o outro. O plano já não está na cabeça do Claude, está no script. E tu, entretanto, podes continuar a usar a sessão.
Eu uso-o como uma linha de montagem. Cinco postos, um agente por posto, uma só tarefa cada um. Cada agente recebe a peça do passo anterior e, antes de trabalhar nela, verifica se está bem feita. Se não estiver, a linha para.
Porque importa: quem tenta partir o código não é quem o escreveu, por isso procura precisamente os buracos que o autor não vê. E se a lista de ficheiros ou o plano estiverem errados, dás por isso logo, antes de alguém construir por cima.
1. A primeira vez: pede um workflow
O script não és tu que o escreves. Basta pedi-lo por palavras tuas, tipo «usa um workflow»: o Claude escreve o script e põe-no a correr. A palavra ultracode no prompt também funciona, mas não é precisa: um pedido direto vale o mesmo.
Este é o prompt que colo no Claude Code. Em vez dos parênteses retos põe a funcionalidade que queres, descrita como a explicarias a uma pessoa.
Usa um workflow de cinco passos para: [descreve a funcionalidade]. Cada passo é um agente diferente, com uma só tarefa, e recebe o resultado do passo anterior. 1. PROCURA: encontra no código os ficheiros e as funções que estão envolvidos, com o porquê. 2. PLANO: verifica se a lista está certa e completa, depois escreve um plano por pontos: o que muda, por que ordem, como se verifica. 3. CONSTRÓI: verifica se o plano se aguenta, depois segue-o e corre os testes. 4. PARTE: tenta partir o que foi construído (dados vazios, utilizador sem sessão iniciada, duplo clique, telemóvel). Se encontrares um erro, devolve-o ao passo 3 com a descrição e tenta outra vez, no máximo duas vezes. 5. RESUMO: verifica se os testes passam, depois escreve o que mudou, o que foi testado e o que falta fazer. Se um passo encontrar um problema no passo anterior, para e diz: nada avança enquanto não estiver resolvido. Chama ao workflow "cadeia" e lê de args a funcionalidade a construir.
O que faz cada posto:
- PROCURA não mexe em nada. Só traz a lista de ficheiros, com o motivo de cada um.
- PLANO primeiro verifica a lista, depois escreve o que muda, por que ordem e como se verifica.
- CONSTRÓI verifica se o plano se aguenta, segue-o e corre os testes.
- PARTE é o posto que faz a diferença. Experimenta os casos de que costumas esquecer-te: dados vazios, utilizador sem sessão iniciada, duplo clique, telemóvel. Se encontrar um erro devolve-o ao CONSTRÓI, no máximo duas vezes, para a volta não continuar até ao infinito.
- RESUMO verifica se os testes passam e diz-te o que mudou, o que foi testado e o que falta fazer.
A linha «Se um passo encontrar um problema…» é a que segura tudo. Sem ela, uma lista errada no primeiro passo torna-se um plano errado, e depois código errado que passa nos testes.
A última linha, pelo contrário, serve para depois, quando a guardares. O nome do comando vem do script, por isso pedes-lhe logo que lhe chame cadeia. E a funcionalidade lê-a de args, ou seja, da entrada que lhe passas quando o lanças: assim a mesma cadeia trabalha de cada vez numa funcionalidade diferente, em vez de refazer a da primeira vez.
Antes de arrancar, normalmente o Claude Code pede-te autorização e mostra-te as fases previstas. Daí também podes abrir o script e lê-lo antes de dizeres que sim.
2. Acompanha-a enquanto trabalha
A cadeia corre em segundo plano, por isso podes continuar a escrever na sessão. Para veres em que ponto está:
/workflows
- Vês as fases umas por baixo das outras, cada uma com os seus agentes.
- Com as setas escolhes uma fase, com Enter entras e vês o que fez cada agente: a tarefa que recebeu, as ferramentas que usou, o resultado. Com Esc voltas atrás.
- p põe a volta em pausa e retoma-a, x para o agente selecionado, ou a volta inteira se for a volta que está selecionada.
3. Guarda-a uma vez
Quando uma volta te agradou, não tens de voltar a colar o prompt de cada vez. Guarda-la como comando:
- Escreve /workflows e seleciona a volta que queres guardar.
- Carrega em s: abre-se a janela para a guardar.
- Com Tab escolhes onde: .claude/workflows/ no projeto, ou ~/.claude/workflows/ na tua pasta pessoal.
- Carrega em Enter.
Em .claude/workflows/ a cadeia vale para esse projeto, e se fizeres commit também a tem quem clonar o repositório. Em ~/.claude/workflows/ tens-la em todos os teus projetos, e só tu a vês.
O que guardas é o script da volta, não o prompt. Por isso, de cada vez, a cadeia faz os mesmos passos, pela mesma ordem, com as mesmas verificações. E o comando fica com o nome escrito no script: foi por isso que no prompt lhe pediste para lhe chamar cadeia.
4. Lança-a quando quiseres
A partir da sessão seguinte basta uma linha, com a funcionalidade nova:
Executa /cadeia para: adiciona o login com o Google
O que escreves depois de «para:» chega ao script em args, e a cadeia trabalha nessa funcionalidade. O trabalho acompanha-lo sempre a partir do /workflows, fase a fase.
5. Antes de a usares a sério
Gasta mais tokens
Um workflow lança vários agentes, por isso uma volta gasta mais tokens do que um pedido normal, e conta nos limites do teu plano. Experimenta-o primeiro numa coisa pequena. No /workflows vês quantos tokens gasta cada agente enquanto trabalha, e podes parar a volta quando quiseres.
Se o /workflows não aparece
Os workflows estão em todos os planos pagos, mas no plano Pro tens de os ligar: abre o /config e procura a linha Dynamic workflows. Se aí estiverem desligados, não funcionam nem o /workflows nem os comandos guardados.
A mesma cadeia, sem workflow
Em alternativa, põe o mesmo texto em .claude/skills/cadeia/SKILL.md. Passa a ser uma skill, e lanças-la com /cadeia. Três retoques: em vez de [descreve a funcionalidade] escreve $ARGUMENTS, para o Claude Code pôr aí o que escreves depois do comando; transforma a primeira frase em «Segue estes cinco passos para:»; tira a última linha, a da cadeia e dos args. Depois pede ao Claude para usar um subagente diferente para cada passo. E usa um caminho ou o outro, não os dois com o mesmo nome: assim sabes sempre que /cadeia estás a lançar.
Executa /cadeia para: adiciona o login com o Google. Usa um subagente diferente para cada passo.
Os passos são os mesmos. Muda quem segura o fio: com a skill é o Claude que passa o trabalho de um ajudante para o outro, e os resultados passam pela tua conversa. Com o workflow é o script que o faz, e a ti só chega o resumo final.
Os erros mais comuns
- Usar a cadeia para um texto ou uma cor. Cinco agentes para uma linha são só espera e tokens: para coisas pequenas basta uma mensagem normal.
- Tirar a linha «Se um passo encontrar um problema…». Sem verificação entre um passo e o outro, um erro do início chega até ao fim: deixa-a sempre.
- Tirar a linha da cadeia e dos args. Sem ela, o comando fica com outro nome e pode refazer sempre a funcionalidade da primeira vez: deixa-a no prompt.
- Começar logo por uma funcionalidade grande. Da primeira vez experimenta-a numa coisa pequena e vê no /workflows quantos tokens gasta.
- Confiar no resumo sem olhar. Lê o que falta fazer e experimenta tu a funcionalidade, pelo menos uma vez no telemóvel.
Checklist
- O prompt tem os cinco passos e a linha de verificação
- A funcionalidade está descrita em vez dos parênteses retos
- O workflow chama-se cadeia e lê a funcionalidade de args
- Primeiro teste numa coisa pequena
- Acompanho a volta a partir do /workflows
- Guardada com s, no projeto ou em ~/.claude/workflows/
- Li o resumo e experimentei eu a funcionalidade
Perguntas frequentes
Posso aprovar o plano antes de construir?
Não a meio da volta: enquanto trabalha, um workflow não te faz perguntas. Se quiseres dar o ok, corre PROCURA e PLANO como um workflow, lê o plano e depois lança os outros três passos como um segundo workflow.
Que diferença há em relação ao ultracode?
Com /effort ultracode é o Claude que decide quando fazer um workflow, para cada trabalho grande da sessão. Aqui és tu que pedes um, para uma funcionalidade, e os passos decides tu.
Se parar a volta, perco tudo?
Normalmente não. Se a puseste em pausa com p, retomas a partir do /workflows com p. Se a paraste, na mesma sessão pede ao Claude para a relançar com o mesmo script: os agentes que já tinham acabado devolvem o resultado que tinham guardado.